a whole heap of questions

setembro 25, 2006

Filed under: Uncategorized — Gabriella @ 8:44 pm

Olha pra mim um pouquinho, olha?

Só um pouquinho…

Foi assim que eu expliquei pra médica:

“O vazio… o vazio, é assim como se de repente eu de dentro de mim murchasse, e só ficasse a casca, por fora. Então o mundo todo fica distante, estranho, fora de lugar, eu frágil e sem sentido.”

Acho que foi mais ou menos isso que falei. Pareceu levar muito mais tempo pra dizer, naquela hora. E depois o olho molhou, como se eu de dentro de mim tivesse se sentido subitamente compreendida ou pintada em tela, em letra, vazando pra fora da casca e quem sabe fazendo ela juntar forte. Pra nunca mais descolar.

Mas se desde criança nunca colou…

Anúncios

setembro 5, 2006

Desculpas?

Filed under: Uncategorized — Gabriella @ 5:13 pm

Encontrei-o por acaso na sessão do filme.

Que era lindo, sensibilidade alegre e triste e linda, me escorreram lágrimas e teve muitas horas que eu quis apoiar a cabeça em seu ombro, como se me pesasse a beleza na cabeça (um peso bom). Mas só apoiei uma vez.

Quando acabou todos se levantaram mas não eu, nem ele, eu quis almoçar, ele disse que precisava também. Sugeri de almoçarmos juntos.

Nos desencontramos no caminho e eu mudei de idéia sobre o restaurante, resolvi comer em outro lugar. Daí cruzei com ele no caminho.

Andamos um pouco juntos, e ao se separar de mim ele disse. Que eu era muita linda, que lhe dava um dó (punho fechado sobre o peito, será que era mais para um nó? Cabeça para o lado – será que lhe pesava também?), quando ele estava assim perto.

Fiquei sem saber o que dizer, acho que ainda estou sem saber o que pensar. Será que eu devia desculpas? Será que eu devia ficar longe?

Como eu já desconfiava

agosto 28, 2006

Resposta pra ela

Filed under: Uncategorized — Gabriella @ 8:47 pm

Oi, querida,

Cheguei a pensar em te escrever a resposta escrita, isto é:, à mão, papel, envelope, mais uma de nossas cartinhas temperadas de surpresa, notícia, carinho e caligrafia. Mas não há tempo, creio.

O tempo enrola mesmo a gente, esse safado. Primeiro a gente é criança e não liga pra ele, então ele se faz quieto e indiferente. Daí nós crescemos e é ele quem vira criança, fugindo às nossas demandas; se ri e se esconde da gente, quanto mais desejamos, quanto mais ansiosos. Já quando ficamos adultas de vez somos as mães chatas lidando com o filho adolescente, sempre ausente. Independente da gente. E o que é que a gente faz? Tanto trabalho pra se sustentar, tanto esforço pra darmos a ele sempre nosso melhor… e ele sempre exigindo mais. Frustração.

O tempo encurta quando cresce; mas feito a gente, tende a perder a poesia. A alegria? Essa não. Prometo me esforçar pra da próxima vez você ver, sim, minha caligrafia.

Eu estou bem, mais melancólica do que gostaria, como você pode ler. A faculdade também vai bem, e entendo bem os doentes crônicos: é horrível depender de remédios. O antidepressivo genérico não funciona, e aí por esse motivo, assim genérico, eu também andei funcionando meio mal. Mas agora já voltei à marca de costume.

Até por essa questão acima, estou saindo daqui a pouco pra fazer esteira. O tempo anda escasso, mas estou priorizando pelo menos os exercícios aeróbicos. Sábado fez sol, andei na praia, na areia fofa, ritmo forte, fui até depois da praça do Ó e voltei. :) Uma delícia, de sol, de mar, de vista, de céu que quando se olha meio tonta e cheia das endorfinas, parece estar se afastando, sabe como é?? Dá até desânimo de ir feito hamster rolar na esteira hoje nessa tarde nebulosa. Mas irei.

A faculdade vai ótima. Muito estudo, mas tudo bem interessante, tenho me dedicado bastante. Além dela, tem o curso de eletrocardiograma, que devagar-e-sempre espero que faça a coisa entrar na minha cabeça hehe. Os estágios até agora não começaram a andar de fato, e nada indica que serão remunerados. Vejamos que bicho dá.

Haha, que engraçado você já estar cansada tendo acabado de voltar de férias!! :) Aguenta firme… E aproveita o feriado que você vem pra cá pra descansar um pouco (sua mãe até ia ficar feliz, da menina maluquinha parar quieta em vez de bombar na naite).

O namorado e eu estávamos pensando em viajar nesse feriado, talvez até mesmo pra casa da minha avó. Lá não tem muito o que fazer, mas pelo menos isso é um bom motivo pra ficarmos colados o tempo todo… E sabe como somos o Durango Kouple.

Eu sei que você deve estar cansada, já, das minhas declarações de amor nas cartas que te mando, mas estou realmente tão feliz com ele… Passamos um ótimo final-de-semana, em que fomos ao cinema juntos, dormimos juntos, fizemos sexo bom (o adjetivo “juntos” é dispensável nesse caso, ou será que não?); estudamos separados, comemos separados, usamos a internet separados, desfrutando a agradável presença do outro logo ali perto. Bem, talvez seja o caso de dizer então que “dormimos separados”, mas percebo assim que o limite é um tanto tênue, e em verdade não precisa ser demarcado – tem sido tudo muito aconchegante, gostoso de todo jeito, e é isso que importa mais.

É claro que você me mandou fotos da sua sobrinha! =) Com a gata xará da minha e tudo. Ainda não fui ver as fotos da sua viagem, confesso… mas prometo olhar com atenção qualquer hora dessas. Pra atenuar o parágrafo acima, pode ser até muito bom você estar sem ninguém agora – se há tanto pra assimilar, tanto pra você fazer. Lugares diferentes mexem com a gente, ainda que seja por pouco tempo. Desculpa a comparação esfarrapada, mas se já tem sido uma experiência agradável pra mim ficar em Botafogo, na casa da minha madrinha, uma vez por semana!… Fico observando aquele bairro, juro, é tudo tão diferente apesar de tão próximo… E viver vida de pedestre um pouquinho, observar o comércio, preparar minha refeição eu mesma.

Falando dessas ternuras do dia-a-dia… é tão bobo quem não as vê. Hoje no ônibus entraram 2 crianças voltando da escola, daqui a pouco aproximou-se o pai; ele era tão zeloso. Estavam de pé, se segurando aos trancos do motorista, e ele falou pra filha menor, “Abraça o papai que é melhor”. Pouco depois saltaram no pé do Vidigal.

E comidas! Tenho cozinhado, e tem dado certo – impressionante haha. Semana passada fiz um bolo de banana com café; quando você vier vou te fazer um pra compensar aquele seu bolo inesquecível que comemos na casa do Bernardo. ;) Pois bem, ando escrevendo muito pouco. Por isso quis pegar dois coelhos nessa única prosa. Espero que você não tenha se importado, não pense que faltou pensamentos em ti.

Saudades, também. Você é linda e fofa e esperta, e o mais engraçado é que não sinto nada além de extremamente fraternal por você =* haha. Mas fica de olho, que não páro de ouvir os caras daqui falarem de você. ;)

Quando você vier, nos reunimos de novo como da última vez na pizzaria. Foi tão bom!, conversa, e aconchego também, sim, da mesma forma como falei ali em cima. Pensar que já tem gente entre nós com planos concretos de casar (sim!!!! você não soube? O “seu ex”. Fiquei tão feliz.).

Muitos beijos,

Te escrever me fez bem,

Preciso ir malhar.

eu.

julho 21, 2006

Sinal da Cruz

Filed under: Uncategorized — Gabriella @ 8:49 pm

   Não sei se é inveja o que sinto dessas pessoas. No ônibus, na rua, entrando ou saindo de um lugar qualquer, algo se quebra de repente no meu cotidiano/automatismo quando eu vejo:
   Uma pessoa comum, num gesto quase constrangido, põe o polegar na testa abaixada, desce para o centro do peito, esquerda, direita, e por último o dedo nos lábios, encontrados estes quando a fronte já se retificava para o indivíduo seguir em frente.
   O mundo dentro de mim observa alienígenas. Enquanto eu, aqui, penso em alguma coisa flutuante, inocente, desimportante, outrem me diz que tem medo, que tem planos, que tem vida pra cuidar, assuntos pra tratar, quem sabe até não tenha filhos!, e o mais estranho de tudo, tem fé. Em Deus.
   Não sei se é inveja, que no fundo eu acho bonito. Por vezes acho até graça. Talvez a moça que o faz ao chegar no prédio alto de manhã cedo, tem é medo de elevador. E eu deveria ficar bem atenta quando o cobrador silencia o gesto logo antes de pegarmos a linha vermelha.
   Se há inveja, é do investimento, da valorização simbólica da vida que ali está por vir. Como se ao fazer o sinal da cruz um pouquinho do dia nascesse.
   Fé, essa sei que não há. Digo, fé minha, em Cristo e sua cruz; que na vida tenho fé sim. Então o sinal dos outros me bastam, como lembretes, surpresas, balinhas perdidas na bolsa trazendo um gostinho de esperança na boca, minha e deles.

Blog no WordPress.com.